cidade submersa
hoje eu acordei na cidade submersa
onde o céu é cheio de peixes
e o descanso está entre os feixes
na esperança em que o mar dispersa
o que tem na cidade submersa?
não haveria eletricidade
somente a mãe da sensibilidade
que só a água gera e acessa
por aqui mal entra luz
e ainda sim é iluminado,
o sol no céu mergulhado
não ofusca o que dentro seduz
as copas das árvores dançariam
balançando a água sadia
as fumaças, bolhas seriam
subindo aos céus em ousadia
os ventos correndo solto nos montes
como um teatro no alto do dia
da festa dos fluxos que fluem distantes
seria pro povo sua fantasia
e já o seu povo, como a lenda dizia
ritualístico com o azul que os permeia
sozinhos, mas trançados pela teia
que os une em nome da santa poesia
caminham pelas ruas
guardando os seus segredos
sentindo na pele amena
o resto de seus anseios
por lá, não existem conceitos
nem razões de mundos paralelos
somente a água os basta
somente a verdade cria elos
as formas, como conhecidas
já não mais existiriam
estariam sim esquecidas
ao rio no qual fluiriam
e até o tempo da cidade submersa
quando chega lá, passa diferente
pela água tem de transitar
para a pressa, com ela acabar
na pele as pessoas sentem
as linhas do tempo cruzando
a urgência desacelerando
e o mundo se movimentando
e agora quando eu durmo novamente
submerso na água da cidade
espero que esse dia reinvente
a maneira com que eu vejo a verdade.

